Sentada à meia-noite em meu quarto,
Munida de papel e caneta, tento
Escrever algo que seja ao menos aceitável.
No entanto, essa dama de branco com
Rosas nos cabelos - dourados como o
Sol – a qual os poetas antigos
Chamavam de musa inspiradora,
Não vem me visitar.
Em minha mente surgem idéias
Que se chocam, entrelaçam
E desaparecem tão confusas
Como surgiram.
Chegam-me aos ouvidos rumores
Sombrios da cidade: uivos de cães,
O canto das corujas e o barulho dos carros
Que,a despeito do horário, rodam pelas ruas
Da cidade.
Levanto,preparo uma xícara de leite morno
Acompanhado de café amargo
(combinação perfeita para afugentar o sono).
Sorvo-a com voracidade como se nessa bebida
Contivesse toda a genialidade dos grandes
mestres: Lorde Byron, Castro Alves,
Álvares de Azevedo, Fagundes Varela.
Abro um livro com o intuito
De que àquela chuva De palavras
A inspiração volte,
Mas nada acontece,
Continuo sem nenhuma idéia
Que preste.
Debruço-me sobre a escrivaninha e... nada!
Não vem nenhuma história mirabolante
Ao meu espírito.
Pensamentos alheios ao meu objetivo inundam
Minha mente enquanto desenho rosas
Na margem da folha.
Nesse exato momento soa uma hora
No relógio da sala.
O sono vem me cortejar,
Esse visitante desagradável
Que aparece nas horas mais inoportunas.
Luto ferozmente contra ele, grito-lhe ao ouvido:
“Tenho que compor ao menos um poema hoje”.
Ele responde: “O seu hoje já é amanhã,
Durma um pouco e escreva ao alvorecer”.
Após essa réplica tão persuasiva,
Me arrasto até a cama e adormeço
Para só acordar muito depois do alvorecer,
Antes porém murmuro:
“ao alvorecer... eu prometo”.



Comentários