Home Data de criação : 09/08/30 Última atualização : 11/10/18 03:09 / 5 Artigos publicados

Sobre um poema que não foi escrito...  escrito em domingo 30 agosto 2009 21:09

 Sentada à meia-noite em meu quarto,

 Munida de papel e caneta, tento

 Escrever algo que seja ao menos aceitável.

 

 No entanto, essa dama de branco com

 Rosas nos cabelos - dourados como o

 Sol – a qual os poetas antigos

 Chamavam de musa inspiradora,

 Não vem me visitar.

 

 Em minha mente surgem idéias

 Que se chocam, entrelaçam

 E desaparecem tão confusas

 Como surgiram.

 

 Chegam-me aos ouvidos rumores

 Sombrios da cidade: uivos de cães,

 O canto das corujas e o barulho dos carros

Que,a despeito do horário, rodam pelas ruas

Da cidade.

 

Levanto,preparo uma xícara de leite  morno 

Acompanhado de café amargo

(combinação perfeita para afugentar o sono).

Sorvo-a com voracidade como se nessa bebida

Contivesse toda a genialidade dos grandes

mestres: Lorde Byron, Castro Alves,

Álvares de Azevedo, Fagundes Varela.

 

Abro um livro com o intuito

De que àquela chuva De palavras

A inspiração volte,

Mas nada acontece,

Continuo sem nenhuma idéia

Que preste.

 

Debruço-me sobre a escrivaninha e... nada!

Não vem nenhuma história mirabolante

Ao meu espírito.

Pensamentos alheios ao meu objetivo inundam 

Minha mente enquanto desenho rosas

Na margem  da folha.

Nesse exato momento soa uma hora

No relógio da sala.

 

O sono vem me cortejar,

Esse visitante desagradável

Que aparece nas horas mais inoportunas.

Luto ferozmente contra ele, grito-lhe ao ouvido:

“Tenho que compor ao menos um poema hoje”.

Ele responde: “O seu hoje já é amanhã,

Durma um pouco e escreva ao alvorecer”.

Após essa réplica tão persuasiva,

Me arrasto até a cama e adormeço

Para só acordar muito depois do alvorecer,

Antes porém murmuro:

“ao alvorecer... eu prometo”.

 

 

                                    

 

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Três estrofes sobre a morte  escrito em terça 12 janeiro 2010 22:01

 

Estou prestes a regurgitar a alma,

Junto com as lágrimas e os gritos.

 

Mas como?

Como colocar para fora algo

Que não sei onde está?!

                                             Que provavelmente não tenho mais.

 

Um iceberg, uma calota polar.

De nada adianta o aquecimento global!

Derretem para logo solidificarem

Outra vez.

 

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Intensa  escrito em terça 12 janeiro 2010 22:06

                                                E é por isso que quando canto

            O canto sai tão triste.

            Quando choro

            O choro sai tão fecundo.

 

            Quando rio

            O riso se alarga tanto que não

            Fica cabendo mais em mim.

            Quando grito

            O grito vibra não pela sua altura

            E sim por sua força.

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Uma notícia (crônica)  escrito em terça 12 janeiro 2010 22:16

                                 

   "Uma comissão do governo do Afeganistão que investiga a morte de dez afegãos em um ataque de forças americanas no país disse, nesta quarta-feira, que todas as vítimas eram civis e nove delas, crianças.

Segundo a parlamentar afegã Gulhar Jalal, eles foram mortos enquanto dormiam, em um vilarejo da província de Kunar, no leste do país. [...]

 

Um porta-voz das forças da coalizão militar liderada pelos Estados Unidos no Afeganistão disse que foram encontradas armas na casa onde estavam as vítimas - um indício de que se tratava de insurgentes e não crianças.

 

Segundo o correspondente da BBC em Cabul Peter Greste, é impossível confirmar a veracidade das informações oferecidas pelos dois lados.

Mas, de acordo com ele, existe a possibilidade de que as crianças estariam ajudando os insurgentes."

 

 Obs: Kunar é uma província remota, fortemente atingida pela neve no inverno, e dominada pelo Talebã, o que dificulta ainda mais a investigação do incidente do sábado.

 

 Minha reação ao fato:

                  Nove eram crianças.

                  Eram apenas crianças... daquelas que a gente vê todos os dias nas ruas indo para escola, brincando de bola, de boneca, soltando pipa ou indo a matine assistir Madagascar com os pais.

                 Crianças afegãs que não tem como ver sentido na educação pois seu futuro é a morte, que não brincam de bola ou boneca e sim com armas de verdade aprendendo, desde cedo, a matar DE VERDADE, provavelmente nunca foram ao cinema mas também a arte não tem muito sentido no meio de uma guerra, num país que permite que calem para sempre suas crianças.

                 Dormiam inocentemente... continuaram dormindo só que agora para sempre.

                 "[...] existe a possibilidade de que as crianças estariam ajudando os insurgentes."

                  Eram crianças...

                  Não uma, nem duas

                  Eram nove crianças.

                  Vivendo num país tomado pelo terror, vendo seus sonhos morrerem a cada dia junto com suas respectivas inocências.

                  Foram entregues nos braços de Alah enquanto dormiam, ele os pegou pelo colo e os levou suavemente ao paraíso.

                 Suavidade... crianças que nunca souberam o significado de tal palavra.

                Qual a importância das tais investigações que de todo modo não poderão ser feitas?

                ELAS ESTAO MORTAS, isso é que não poderia ter sido feito e foi.

                Elas e tantas outras que morrem diariamente no mundo todo pelo simples fato de que os homens dão mais importância ao dinheiro do que aos seus irmãos.

                Enquanto o corrompido metal, os papéis esverdeados que matam forem mais importantes do que os humanos o mundo viverá em completo caos.

 

 

 

 

 

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Dizer-te adeus  escrito em terça 12 janeiro 2010 21:56

           

                         

Ingrato, não compreendes

Que o seu amor era a minha derradeira

Esperança nessa desoladora existência?!

 

Nem um minuto, ao menos, pensastes

No quanto me faria sofrer

Cortejando outra tão descaradamente.

 

Tu não sabes quantas noites

Chorei de desespero ao pensar em ti

Junto a ela.

Afianço-te que foram várias as que passei

Em claro ardendo de ciúmes sobre o meu leito.

 

Inúmeras vezes bati minha cabeça

De encontro ao chão

Com o intuito de apagar da minha mente

Sua imagem execrável.

 

Não tens consciência do mal

Que me fizestes,

Agindo de tal modo que a loucura,

Que continha meu DNA, fosse deflagrada.

 

Depois de tamanha crueldade,

Ainda tivestes coragem de abandonar-me,

Deixando-me imersa em profunda dor.

 

Hoje, morro instante após instante;

Contraindo meu rosto em espasmos

Dolorosos,

Que indicam meu incessante pranto

E minha completa insanidade.

 

Queria dizer-te, apenas, que me afundo

Cada vez mais em um irreversível tormento,

Sem esperança de que tu tenhas misericórdia

E voltes para mim.

 

Dizer-te ainda que em breve não estarei mais aqui,

Pois, mergulharei no abismo profundo do infinito.

Desde já me despeço com um saudoso: ADEUS!

 

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